13 de março de 2015

A Mania da Superioridade



              Imagem Google

"Não existe grandeza quando humildade, bondade e verdade não estão presentes"

 Leão Tolstoi - Célebre escritor russo.

                    Estimados Leitores

Por razões alheias à minha vontade tenho andado afastada da blogosfera. Hoje volto com uma história verídica do quotidiano que, provavelmente, acontece mais vezes do que seria desejável.


Não posso deixar de colocar uma questão ao leitor: Já alguma vez deu de caras com pessoas de "nariz empinado?" Se deu, bem-vindo ao clube.

Vem esta pequena introdução a propósito de um episódio que aconteceu comigo e com uma amiga.

Então vamos lá:

Uma das minhas irmãs - somos cinco - tinha acabado de se mudar para um bloco de apartamentos.

Depois de ter o apartamento arrumado e decorado, um dia ligou-me a convidar-me, a mim e a uma amiga comum, para visitar o apartamento, para lancharmos e pôrmos a conversa em dia. É claro que aceitámos logo. Escolhemos o dia que nos dava mais jeito e lá fomos. 

Quando chegámos, eu subi o pequeno degrau da soleira da da porta e ia apoiar sobre o botão da campainha quando, de repente, a porta foi aberta, ou seja, semi-aberta por uma senhora de meia idade. 

Calculei, de imediato, que a senhora ia sair, mas antes, abriria a porta para nos deixar entrar. Porém, o que se passou em seguida, foi uma "espécie" de interrogatório vindo duma pessoa mal-humorada.

- As senhoras moram aqui?
E eu respondi, delicadamente, que não mas que...
A senhora nem me deixou terminar a frase e foi adiantando:
- Se não moram aqui não podem entrar.

- Ai não? - Perguntei admirada.
- Não! Continuou ela no mesmo tom. São ordens superiores!

A minha amiga que, tal como eu, estava à beira duma explosão, saiu-se com esta: 
- A senhora acha que temos cara de assaltantes?
A senhora olhou para ela e depois para mim e, sem responder - naturalmente porque não tinha argumentos - saiu como um furacão, fechando, com força, a porta atrás de si. 

Olhámo-nos e, escusado será dizer, que estávamos sem palavras. 
A senhora desceu o passeio, apressada, e afastou-se resmungando. Bem; não era o fim do mundo e, em seguida, tocámos a campainha. A minha irmã atendeu e abriu-nos a porta. 

Sempre bem-disposta - como era natural nela - logo que entrámos e depois dos cumprimentos comentou:
- Peço muita desculpa mas não estou a reconhecer-vos! Sempre alegres e bem-dispostas e vêm à minha casa, pela primeira vez, com essa cara? Aconteceu alguma coisa de mal com vocês? Perguntou já aflita, ao mesmo tempo íamos entrando para o salão.

 Eu e a nossa amiga olhámo-nos, ambas prontas a explodir e ela perguntou-me:
- Contas tu ou conto eu?
- Podes contar tu. - Respondi ainda com os nervos à flor da pele.

Depois de ter ouvido o que tinha acontecido, a minha irmã respondeu incrédula:
- Não! Não é possível! Descrevam essa senhora.
E foi o que fizemos em seguida.

Depois de termos terminado, a minha irmã disse, admirada:
- Mas essa senhora, para mim, é a amabilidade em pessoa! Já temos subido e descido juntas no elevador e ela é muito simpática! Até me contou que é (foi) professora mas que já está aposentada.

Incrédulas, ainda tivemos dúvidas se estaríamos a falar da mesma pessoa mas não havia qualquer dúvida. 
Depois de nos ter mostrado o apartamento, muito bem decorado e funcional, sentámo-nos para o nosso lanche. Porém, o episódio não nos saía da cabeça. 

Alguns dias depois, voltei a casa da minha irmã e, por sorte ou azar, a mesma senhora desceu connosco no elevador. Cumprimentou a minha irmã, delicadamente, mas nem sequer se dignou olhar para mim. 

A minha irmã que "fica virada do avesso" com tais atitudes, soltou:
- Não sei se já conhece, esta senhora é minha irmã!
E ela:
- Sim; conheço. Já nos cruzámos um dia destes.

Quando saímos, ela afastou-se e nós entrámos no café ao lado. Porém, não compreendíamos a sua atitude. E a minha irmã:
- Deixa lá que, quando nos cruzarmos, eu faço com ela o que ela fez contigo.
E eu:
- Não te preocupes. Se ela é gentil contigo acho que deves proceder da mesma maneira.

Quando vou visitar a minha irmã, por vezes cruzamo-nos e eu, muito delicadamente, saúdo-a. Porém, ela nem se dá ao trabalho de responder. E eu, a partir daí, comecei a fazer o mesmo.

Bem sei que esta história é banal e que acontece mais vezes do que seria desejável.
Acrescento que sou uma pessoa pacífica e que fui educada no seio de uma família cujos princípios e valores ainda prevalecem. E prezo muito esses valores.

Na minha opinião, pessoas que se comportam como se o Mundo inteiro lhes devesse "Render Homenagem", não merecem, sequer, que percamos tempo procurando na nossa mente o que as leva a agir assim. Devemos, sim, afastar-nos delas, não lhes dirigir a palavra e deixarmos que elas pensem que, realmente, são as donas do Universo.
Como diz o provérbio: "O desprezo é a melhor arma."

Porém, perante episódios como o que acabo de descrever e, sabendo nós que ao cimo do planeta existem bilhões de pessoas com ideias diferentes não é de admirar que o ódio se espalhe como um rastilho. Como vemos, uma guerra pode ser desencadeada, apenas e só, por duas pessoas sem que haja algo de concreto ou palpável para que isso aconteça.

Termino com outro pensamento, de um escritor francês que viveu no século XX, cuja frase ficou célebre: "L'enfer c'est les autres." "O Inferno são os outros."
                                             
                                          Paul Sartre na sua obra "Huis Clos." 
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