26 de junho de 2012

Um Hino aos Momentos Felizes. (Parte 4 e Fim).



            Imagem Google
                                        Continuação...

... Para terminar, e como vivi alguns anos no campo até à adolescência, queria ainda partilhar convosco outros momentos inesquecíveis.


Trabalhávamos no campo e tínhamos um terreno de cultivo que ficava no sopé de um monte. Chegados ao ponto mais alto, eu sentava-me sobre um pedregulho - sempre o mesmo - e olhava maravilhada à minha volta: daquele ponto avistava-se o horizonte num ângulo de mais de 180º. No sopé do monte os campos de cultivo, mais longe os outeiros "semeados" de casas dispersas que mais pareciam casinhas de bonecas, depois as colinas e por último, longe, muito longe as montanhas que pareciam tocar o Céu. E eu ali ficava, perdendo a noção do tempo, extasiada com tanta beleza que me dava alegria à alma. Depois levantava-me e lá ia eu monte abaixo juntar-me aos meus pais e aos meus irmãos.

Durante o Inverno, quando os dias se faziam curtos, regressávamos a casa à hora do Sol-Pôr. Quando chegávamos ao cimo do monte, a noite vinha caindo devagarinho. Parávamos e ali nos quedávamos por longos minutos. Durante o tempo que aí permanecíamos, nada mais existia na nossa mente para além daquela paisagem maravilhosa que àquela hora era ainda mais bela. Tudo o que a nossa vista podia alcançar estava semeado de luzes multicolores. Era a cidade de Torres Novas rodeada das suas aldeias-satélite, e de outras aldeias que se estendiam para Este e Oeste, todas iluminadas. Faziam lembrar o Céu semeado de estrelas cintilantes em noites de Lua-Cheia. Era, esplendoroso! 

É claro que não podia saber - nem sei agora - como seria o Paraíso mas imaginava-o de acordo com o que aprendera na catequese. E, nesse contexto, lembro-me que comparava aquela paisagem ao Paraíso Sobre a Terra. E depois de vários minutos de quase êxtase, os meus pais tocavam-me no ombro e falavam baixinho, talvez para não quebrar aqueles momentos de magia: "vamos filha, que se faz tarde. Daqui a pouco é noite cerrada."

Levantava-me a custo, pois os meus olhos não queriam afastar-se de tanta beleza, seguia atrás deles, depois parava uns segundos, olhava novamente e depois fazia uma pequena corrida para alcançá-los. E repetia estes gestos, até que aquela paisagem maravilhosa desaparecia por detrás do monte. 

Apesar do trabalho duro do campo, ela parecia redobrar as minhas forças a cada dia que passava. Não tenho bem presente mas calculo que com 14 ou 15 anos não tivesse discernimento para compreender, ainda, o conceito de felicidade. No entanto, tinha uma certeza absoluta: aqueles cenários davam-me força, muita paz, uma alegria e uma felicidade que nunca irei esquecer até ao fim dos meus dias.

Nota: talvez aquela paisagem noturna se mostrasse ainda mais bela aos meus olhos porque a eletricidade não havia chegado ainda à minha aldeia.

                                                                                        FIM.

E os leitores? Não quererão partilhar connosco aqueles momentos inesquecíveis? O espaço é todo vosso.
Um grande abraço de amizade.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...