21 de junho de 2012

Um Hino aos Momentos Felizes. (Parte 2).



       Lançamento do livro
       A Princesa  Descalça                                                              Continuação...


...Largos minutos depois, cansada de tanto vaguear, a minha mente "regressava" e os meus olhos iam cedendo, acabando por adormecer já a noite ia avançada.



No dia seguinte ao acordar, como por magia, a minha mente encontrava o cenário e o lugar certos para cada uma das personagens.

Deixava-me escorregar, devagarinho, até os meus pés tocarem o chão, para não acordar o meu marido. Vestia o robe, enfiava os chinelos à pressa e lá ia eu directa ao escritório anotar aquelas ideias, antes que acabassem por escapulir-se. 

Depois, quando tinha um tempinho para continuar ia "encaixando" as personagens nos cenários, ou o contrário, acabando por, cada uma delas, ocupar o lugar que eu lhes havia destinado sem "resmungarem." E, depois daquela tarefa cumprida, cada uma delas achava que tinha o tão desejado "lugar de destaque." E eu sentia-me satisfeita por mim mas também por elas. 

Sou realista o suficiente para saber que não escrevi uma obra-prima. Muito longe disso. E sei também que a publicação de um livro talvez não seja motivo para tanto regozijo. Contudo, para mim foi gratificante.

O que me moveu não foi a parte monetária. Neste caso específico sabia que não devia pensar nessa parte, por mil e uma razões que ainda mantenho. Moveu-me sim: uma vontade indomável, um desafio a mim própria e um desejo inabalável de ver um sonho realizado. 

Muitas vezes dava comigo a pensar com os "meus botões:" será que vou conseguir escrever? Será que, se conseguir escrever, conseguirei publicar?
Sabia que ninguém podia responder-me. O futuro era uma incógnita.

Acabei por conseguir escrever e publicar. Vendi alguns exemplares, outros ofereci a  amigos e familiares e ainda restam alguns. Continuo a escrever e leio quando me é possível. No entanto, quanto mais leio, melhor consigo ver a distância que me separa dos autores que leio. Apesar de tudo penso continuar, por mais algum tempo - o futuro o dirá - na blogosfera escrevendo as minhas histórias. Porém, o que penso é que não devo "construir castelos de areia."

Muitas vezes, quando estou a meio de um romance cuja história me prende desde as primeiras palavras, uma luzinha "acende-se" no meu cérebro e eu pergunto: "que fazes aí? Não te convidei a entrar!" - E ela responde-me na sua voz doce mas convencida: "Venho avisar-te que, por mais que leias e escrevas, nunca deves comparar a tua escrita com a dos outros autores!" - E eu respondo humildemente: "penso que não há mal em comparar, embora não seja esse o meu objetivo! Mas não estejas preocupada porque eu sei qual é o meu lugar." Depois a luzinha apaga-se mas eu nunca esqueço a lição.

Provavelmente, se algum leitor se der ao trabalho de ler este pequeno texto, poderá interrogar-se: "e porque deveria eu ler um texto, onde não se aprende nada e que importa, apenas, ao seu autor?" 
E, se pensar assim, tem toda a razão. No entanto, o que me levou a partilhar convosco um pedacinho da minha vida foi o querer, muito, transmitir-vos que, apesar de todas as contrariedades, de todos os problemas, de todas as preocupações e de todas as adversidades que a vida nos reserva, há momentos, ainda que diminutos, que merecem a pena ser vividos. 

E não pensem que, para ter uns momentos de felicidade, é necessário escrever um livro. Nada disso. É claro que, para  muitos não será uma tarefa muito difícil, mas sê-lo-à para outros. Então, que pretendo dizer com isto?

Como sabemos, a vida, tal como a felicidade não são estáticas. Estão em constante mutação. Existem momentos bons, momentos menos bons e momentos dramáticos. Cabe a cada um de nós "construir e agarrar" com força, aqueles que nos dão a tão desejada felicidade mesmo que por breves instantes. Serão momentos únicos que, quer queiramos quer não, não voltarão a repetir-se e, por isso, devemos guardá-los no nosso "baú das recordações" como um verdadeiro tesouro.

                                                                            Continua...

Certamente, muitos leitores terão vivido momentos de verdadeira felicidade. Não quererão partilhar comigo e com outros leitores esses momentos inesquecíveis?
Sei que nos deparamos, todos os dias, com situações dramáticas, senão trágicas. Mas penso que, enquanto a nossa mente estiver "concentrada" nesses momentos felizes, esqueceremos os infelizes.

Um grande abraço e resto de boa semana.

Se quiserem ou puderem dar uma espreitadela no meu site eis o link: http://mariahelenamota.jimdo.com/ . Aí encontrarão o livro e um pequeno excerto de algumas das histórias. 
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